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TURISMO
AFETA AMBIENTE DAS CAVERNAS Impacto depende da freqüência e do tipo de turismo, assim como do comportamento de quem visita o local
O
risco do aumento do turismo para a fauna das cavernas brasileiras vai
depender da freqüência e do tipo de turismo - demarcado e não-demarcado.
Em termos gerais, os principais impactos são a compactação dos solos
(não permitindo que organismos que vivam no local consigam sobreviver),
poluição do ar, solos e águas (incluindo eutrofização), introdução
de animais e plantas (que podem competir com os presentes, ameaçando
especialmente os troglóbios - animais que só vivem nas cavernas). Segundo o pesquisador Pedro Gnaspini, do Departamento
de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo
(USP), não dá para saber qual tipo de turismo é pior. "Tudo vai
depender da freqüência com que ocorram. Com certeza, em um turismo não-demarcado,
mais áreas serão pisoteadas, prejudicando o ambiente e a fauna. Por
outro lado, em um turismo demarcado, a visitação costuma ser mais
intensa, mas o controle contra a poluição é melhor, embora a introdução
de organismo seja maior, especialmente no caso de plantas e em cavernas
iluminadas. Nesse caso, os animais podem entrar junto com a luz e o
alimento", diz. Na opinião de Gnaspini, até a respiração dos
visitantes muda o ambiente, pois altera os gases presentes e a
temperatura. "Assim, quanto mais turistas, maior o impacto".
Para minimizar o problema, o pesquisador sugere várias medidas aos
visitantes, como não mexer em nada, não jogar lixo nem comida, não
sair das trilhas, evitar pisar onde ninguém pisou antes, não fumar e
até não gritar, pois não se sabe quanto impacto isso pode causar nos
animais e na própria formação rochosa. "Existe um ditado que
diz: em uma caverna nada se tira, a não ser fotografias, nada se mata,
a não ser o tempo, e nada se deixa, a não ser pegadas, nos lugares
certos!" Para o pesquisador, a proteção da biodiversidade cavernícola
depende de conhecimento e proteção, com delimitação de áreas
preservadas e fiscalização. "Já existem leis no Brasil para
proteção do patrimônio espeleológico (geológico e biológico). Mas
ainda é necessário demarcar áreas de proteção, assim como
restringir a visitação a algumas cavernas, que contenham formações
geológicas e animais especiais. O mais urgente, porém, é controlar
essas áreas. Não adianta restringir se não existe controle. Existem
algumas cavernas nas quais a visitação é restrita no papel, mas como
não existem portas nem vigias, portanto a visitação, assim como a
retirada de organismos e espeleotemas, é descontrolada", diz.
Outro problema, é a presença de residências próximas a cavernas,
dentro de parques, que poluem indiscriminadamente rios e solo. No
entanto, a pesquisa, ainda é o mais fundamental. "Somente com um
maior conhecimento sobre como vivem os organismos nas cavernas,
poderemos delimitar áreas e propor medidas para sua proteção".
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