DEPOSIÇÃO
MINERAL EM CAVERNA
Já
se comentou anteriormente que a corrosão, erosão, dissolução,
transporte, desmoronamento de rocha, geram o desenvolvimento da caverna.
Porém, processo contínuo ocorre aos nossos olhos. Inúmeros materiais
continuamente se modificam principalmente no solo da caverna, vindos,
tanto do meio interno como externo; internamente, as argilas
provenientes da dissolução do calcário e blocos desmoronados e
externamente, lama, argila, areia, água, folhas, raízes, restos
vegetais, animais e detritos, em geral, vão fazendo parte do solo da
caverna, principalmente, se esta for submetida a variações de cheias
do rios, dando um aspecto dinâmico ao interior aparentemente estático
da caverna.
Os
espeleotemas (espeleo=caverna; thema=depósito), por sua
vez, são depósitos de minerais em cavernas formadas basicamente por
processos químicos de dissolução e precipitação, o que lhes dá,
via de regra, caráter mais permanente ou mesmo estrutural. De forma
geral e simplificada, os espeleotemas tem sua origem no meio externo e
superior da caverna. A água, combinada com o gás carbônico da
atmosfera e do solo, forma o ácido carbônico que penetra no solo e
atinge a rocha calcária, penetrando nela por seus orifícios naturais,
provocando uma reação química de dissolução do carbonato de cálcio,
formando o bicarbonato de cálcio, que após atravessar todo o teto da
caverna, emerge em seu teto.
A
gota desta solução aquosa fica pendurada no teto até que atinja
volume e peso suficiente para vencer a tensão superficial e cair . Nesse
período, já no espaço da caverna, aquela solução é submetida a
condições ambientais muito diferentes das anteriores, quando percorria
sob pressão as estreitas fraturas da rocha. Essas mudanças de condições
– maior ventilação, alteração de temperatura e PH, menor pressão
de CO2, umidade do ar
–, gera o desequilíbrio químico da solução pela liberação do gás
carbônico no ambiente da caverna com a conseqüente precipitação de
parte do bicarbonato dissolvido. Formam-se assim, na superfície da
gota, área de maior desequilíbrio, os primeiros cristais de calcita
(carbonato de cálcio) que, ordenando-se ao longo do contato da água
com o teto, dão origem a um anel cristalino, o que servirá de base
para a futura estalactite. Gota após gota, o processo tem continuidade,
formando-se uma estrutura que cresce no sentido descendente. A gota ao
cair, ainda carrega consigo bicarbonato em solução, o qual vai sendo
depositado, em capas sucessivas, no piso logo abaixo, formando uma nova
estrutura. A estrutura formada no teto, mais comumente, é tubular e
oca, denominada de estalactite, e a formada no solo é uma estalagmite,
entretanto, dependendo das condições físico-química-climática (umidade
do ar, temperatura do ambiente, PH, saturação, ventilação, pressão
do CO2, volume de vazão
de água, temperatura da água, inclinação da parede, outros minerais
presentes na precipitação) da caverna, tais espeleotemas poderão,
entretanto, assumir outras formas e outras propriedades que serão
descritas mais adiante.
1. Acidulação da água (formação do ácido carbônico):
- H2O
+
CO2
=
H2CO3
-
Água
Dióxido
Ácido carbônico
- de
carbono
2.
Dissolução da rocha pelo ácido carbônico:
H2CO3
+
CaCo3
= Ca(H
CO3)2
Ácido
Carbonato
Bicarbonato
3.
A inversão da equação com a precipitação da calcita:
Ca(H CO3)2
=
CaCo3
+ H2O
+
CO2 
- Bicarbonato
Calcita
Água
Dióxido
-
de cálcio
de carbono
Pequenas
mudanças poderão ocorrer nesta reação química, caso a rocha atacada não
seja carbonática.
Em
cavernas calcárias, predominam os minerais de cálcio, como a calcita,
aragonita e gipsita.
Calcita
(carbonato de cálcio trigonal)
– é um mineral branco ou transparente quando puro, que se cristaliza no
sistema romboédrico ou trigonal, sendo o mineral mais freqüente e que
mais tipos de espeleotemas formam dentro da caverna.
Aragonita
(carbonato de cálcio ortorrômbico)
– é um polimorfo da calcita, diferindo dela na forma de cristalização
ortorrômbica. Mais solúvel que a calcita, a aragonita apresenta maior
dificuldade de precipitação, sendo, portanto, menos freqüente.
Espeleotemas formados de aragonita sob certas condições, podem-se
transmudar em calcita. As formas criadas pela aragonita costumam ser mais
delicadas e finas.
Gipsita
(sulfato de cálcio)
– menos freqüente que as duas anteriores, apresenta-se, normalmente, em
forma de flores, crostas delgadas, agulhas ou cristais alongados e
retorcidos ou, amontoados irregulares de cristais finíssimos e
transparentes, muitas vezes brilhantes e fluorescentes. É formada,
provavelmente, por dissolução e transporte de gesso que ocorre como
integrante do calcário ou por oxidação da pirita (S2Fe).
Outros
minérios se apresentam em cavernas brasileiras, como a sílica,
opala, calcedônia, quartzo e elementos como ferro, cobre e
manganês.
Apesar
da coloração branca ser formada pela calcita, aragonita, gipsita, sílica,
quartzo, outras cores poderão surgir nas precipitações dos espeleotemas,
quer seja por tingimento depositado entre os cristais ou recobrindo a
superfície da peça, ou, a substituição do íon cálcio por outro, como
o cobre, na própria estrutura cristalina do carbono. Como exemplo,
citamos o óxido de ferro – que produz coloração de tons
que vão do laranja ao vermelho; óxido de manganês – que
vão do azul ao negro; cobre – dando cor azulada ; malaquita
– azul-esverdeada; níquel – amarelo ou verde. No
Brasil, já se identificaram cerca de 20 minerais em cavernas.
Conforme
visto no exemplo, na formação estalactite-estalagmite-coluna, todo o
processo de precipitação da calcita está apoiado no mecanismo de
gotejamento. Porém, como também já vimos anteriormente, a partir da
eclosão da gota no teto da caverna, uma série de variáveis pode alterar
o sistema de precipitação e deposição do minério, fazendo com que além
do gotejamento gravitacional, possa ocorrer, também, outras formas como:
escorrimento – linear ou laminar, o borrifamento, a exudação, a
precipitação em meio líquido, a floculação e outros –, o quê se
traduzirá na formação de espeleotemas de formas e aspectos diferentes.
A
título de exemplo, poderemos considerar algumas variantes:
-
Se o fluxo de água que pinga pelo teto da caverna for grande,
teremos menor deposição no teto e maior no solo, o que implica em pouco
estalactite e mais estalagmite, ou, escorrimento no solo;
-
Se o teto for inclinado, a gota, em vez de pingar, poderá escorrer
pela superfície inclinada, formando uma cortina;
-
Se o fluxo de água for muito baixo e o nível de evaporação
alto, a precipitação poderá ocorrer contra a gravidade,
formando
helictites ou heligmites;
-
Se a precipitação ocorrer dentro de um volume líquido, poderá
se formar travertinos , pérolas, vulcões.
|