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CLASSIFICAÇÃO DOS ESPELEOTEMAS  

 

   Muitas são as formas e os critérios para a classificação de espeleotemas, não existindo, ainda, uma universalmente aceita. A forma proposta por Guimarães (1966), dispõe o agrupamento dos espeleotemas em três grupos, baseando essa divisão na forma de precipitação dos minerais, porém, devemos salientar que cada espeleotema é a materialização de inúmeros fatores (químicos, físicos, climáticos, orgânicos), e que seu estudo deve ser individualizado e, portanto, sua classificação e reunião se tornam difíceis.

v      Depósito de Águas Circulantes – são os espeleotemas formados pela deposição dos minerais contidos em solução aquosas que se movem nas cavernas, principalmente pela força da gravidade e que se desenvolvem através de três mecanismos básicos: o gotejamento, o escorrimento e o turbilhionamento. Ocorrem tanto nos tetos como nas paredes e pisos das cavernas e são as formas mais freqüentes encontradas nas cavernas de todo mundo. Seus principais exemplos são: estalactites, cortinas, estalagmites, colunas, cálices, torres de calcita, escorrimento de calcita, trompas, travertinos.

 

ü      Depósito de Águas de Exudação – são espeleotemas formados nas cavernas a partir de soluções aquosas que por capilaridade, circulam lenta e descontinuamente pelos poros da rocha ou pelos vazios intercristalinos de espeleotemas previamente existentes. Diversos fatores (temperatura, pressão entre os poros da rocha, vazios da cavernas, umidade do ar, ventilação, volume de gotejamento), fazem essas soluções imergirem das paredes depositando a calcita e outro mineral até então dissolvido. Para sua formação é necessário que o movimento das águas seja extremamente reduzido a ponto de nenhuma gota ser formada nas emergências e, portanto, a gravidade não as afeta, não ocorrendo o pingamento do gotejamento, e sim, a evaporação da água e do gás carbônico com a precipitação do carbonato de cálcio (calcita ou aragonita), contra a gravidade, tomando as mais variadas formas e dimensões, existindo exclusivamente em ambientes selecionados no interior das cavernas. Seus principais exemplos são: helictites, heligmites, agulhas, flores, algodão, cabelo de anjo, coralóides, pinheiros, folhas, escudos ou discos, esferas ou blisters, cotonetes.

ü      Depósito de Águas Estagnadas – são espeleotemas formados a partir de deposição de minerais nas paredes submersas ou superficiais dos represamentos de água existentes nas cavernas nas quais a água pode ficar saturada de carbonato pela lenta liberação de CO2 no ambiente. Tais depósitos são tipicamente erráticos, sem orientação preferencial, irregulares, mostrando geralmente elementos com muitas faces cristalinas em projeção, predominando a calcita. Seus principais exemplos são: geôdos (dentes-de-cão, triângulos, pirâmides, estrelas), jangadas, bolhas de calcita, plataformas, clavas, espigas, castiçais, concreções, pérolas, vulcões.

ü    Depósitos de Origem Biológica – são os espeleotemas formados pela ação de organismos animais ou, predominantemente vegetais por ação de deposição ou erosão ou, até mesmo, por reação microbiológica. Seus principais exemplos são: leite-de-lua, espeleofototemas.

ü    Depósitos de Origem Mista – vários espeleotemas têm sua composição química ou aspecto final relacionados a atuação simultânea de vários mecanismos de formação. Seus principais exemplos são: cimentação, anemolites, estalactites esféricas, mama-de-vaca, pata de elefante, e outras várias formas originadas de formas mistas.

ESPELEOTEMAS

v    Estalactites – são os espeleotemas mais comuns, sendo encontrados em praticamente todas as cavernas calcárias conhecidas no mundo, ou mesmo em cavidades formadas em outras rochas Grupo Espírito da Terra.

Sua gênese é, sem dúvida, uma das mais simples: a gota de água contendo o mineral em solução, ao sair das fraturas do teto da caverna, fica presa a ele até atingir o peso suficiente para vencer a tensão superficial e cair. Nesse tempo, libera-se o gás carbônico (CO2) na atmosfera da caverna, a solução fica supersaturada e precipita-se, então, um delicado anel de calcita, no contato da gota com o teto. Gota após gota, forma-se a estalactite tubular, cilíndrica e oca, semelhante a um “canudo de refresco” que cresce verticalmente, em sentido descendente.

Estes canudos têm de 2mm a 9mm de diâmetro, com paredes de aproximadamente 0,5mm de espessura, e chegam a atingir mais de 3m de comprimento.

Nesses “canudos”, cada novo cristal é depositado geralmente em continuidade cristalográfica com o anterior, o que é evidenciado pelo paralelismo dos planos de clivagem, quando se parte uma estalactite desse tipo. Estalactites monocristalinas são em geral transparentes.

A razão de crescimento destas estalactites tubulares varia de local para local e de época para época, mas, segundo estudos realizados em diversas partes do mundo, o crescimento destes espeleotemas é da ordem de 0,3mm ao ano (Guimarães). Sabe-se, todavia, que não existe um “crescimento médio”para esses espeleotemas, reduzindo esse dado a um simples valor de referência.

As estalactites também crescem em diâmetro: o tubo original é normalmente poroso e a água pode, pelos interstícios e pelos planos de clivagem do mineral depositados, sair para o lado externo da estalactite, depositando ali parte do material que transporta. Isso ocorre com mais freqüência quando o canal central é obstruído pelo crescimento de cristais das paredes internas.

A água represada no conduto central também emerge pelos poros existentes no contato do teto com a estalactite, escorrendo pelas suas paredes externas, depositando finas lâminas de calcita que as envolve. A deposição maior da calcita no topo superior da estalactite lhe confere a forma cônica tradicionalmente encontrada.

Conforme suas formas as estalactites podem ser: cotonete, tubulares, cônicas, elipsoidal, alongado, filiforme Grupo Espírito da Terra saca-rolha Grupo Espírito da Terra.

  • Espirocone – tipo especial de estalactite de aragonita que se desenvolve em forma de saca-rolha, composta por um conjunto de cones, justapostos, com a concavidade para o solo e formando uma espiral.

  • Maciços Estalactíticos – formado pela reunião de várias estalactites dando origem a grandes estalactites, por vezes gigantescas Grupo Espírito da Terra.

v    Cortinas Grupo Espírito da Terra – quando a gota de água emerge em uma parede ou teto inclinado, ao invés de pingar, ela escorre pela sua superfície deixando um fino rastro de calcita, que, com a continuidade do processo, cresce verticalmente e descendentemente, dando origem à uma lâmina ondulada, branca e translúcida. Quando a deposição do calcário ocorre apenas na sua borda inferior, a cortina formada tem espessura na ordem de 6mm, e seus cristais se depositam perpendicularmente à superfície do crescimento. A deposição de minerais pode ocorrer, também, por escorrimento lateral, engrossando a cortina, podendo chegar até mais de 10cm, e os cristais se depositarão paralelamente à sua borda. Quando na formação das cortinas, vários minérios participam de formas alternadas, a mesma apresenta variações de cores paralelas à sua superfície, dando aspecto denominado de bacon Grupo Espírito da Terra. As cortinas, quando tocadas, emitem um som metálico.

v    Estalagmites – a gota que cai do teto, ou de uma estalactite, ao chocar-se contra o piso da caverna, deixa precipitar a calcita, que ainda trazia dissolvida em forma de bicarbonato de cálcio. O contínuo gotejar e a correspondente disposição da calcita, quer no seu topo, quer nas suas laterais, dará origem a uma estalagmite, que cresce verticalmente a partir do solo, podendo atingir vários metros de altura e mais de 1m de diâmetro e assumir várias formas, como:

  • Pilhas de prato;

  • Cônicas – bolo de noiva, Buda;

  • Cactus – formado por vários pontos de gotejamento;

  • Perfurados Grupo Espírito da Terra – quando a gota que atinge a superfície da estalagmite se torna mais ácida provocando erosão em vez de deposição. Não confundir estalagmites perfuradas com vulcões, que serão descritos adiante.

v    Colunas Grupo Espírito da Terra – representam espeleotemas formados pela união de estalactites e estalagmites.

v    Cálice ou Conulite Grupo Espírito da Terra – o gotejamento, quando ocorre sobre solos não compactados e pouco consistentes (areias e argilas), escava pequenos orifícios no piso da caverna. A continuidade do processo vai aprofundando tais orifícios ao mesmo tempo em que, pela precipitação da calcita, vai cimentando as paredes internas, e pelo borrifamento vai criando uma borda (lábio superior). A continuidade do processo de deposição pode transformar o cálice em uma estalagmite com raiz.

v    Torres de Calcita – são conjuntos de pequenos pináculos de argila revestidos por calcita, os quais são formados por processo de erosão diferencial e deposição mineral, similar ao que produz determinados cálices. Enquanto que nestes últimos o gotejamento abre orifícios isolados em depósitos de argila na formação de torres, a erosão nesses depósitos é produzida por múltiplos gotejamentos vizinhos. As áreas entre orifícios não erodidas e as partes protegidas por seixos resistentes ao impacto das gotas restam como testemunho do banco argiloso na forma de pequenas torres, conhecidas como “chaminés de fadas”. Estas chaminés se incluem entre os espeleogens e não entre os espeleotemas. No entanto, em alguns casos, a exemplo do que ocorre na formação dos cálices, essas torres residuais são recobertas por calcita proveniente do gotejamento de soluções saturadas, transformando as torres calcificadas em verdadeiros espeleotemas.

v    Escorrimentos de Calcita Grupo Espírito da Terra são depósitos laminados que recobrem as paredes e os pisos das cavernas originados da precipitação da calcita dissolvida nas águas que por elas escorrem, sendo sua cor variada devido as impurezas freqüentes, contidas nas soluções aquosas. Podem adquirir várias formas:

  • Cascata de Pedra – escorrimentos com grandes volumes e formas, que se dependuram pelas paredes da caverna;

  • Placas Estalagmíticas – escorrimentos calcíticos formados nos pisos, por vezes bastante espessos e resistentes;

  • Marquises de Placas Estalagmíticas – quando pela remoção do solo subjacente as placas estalagmíticas ficam suspensas, formando dois pavimentos;

  • Chão de Estrelas – quando a superfície do escorrimento apresenta pontos brilhantes devidos a depósitos de cristais cintilantes;

  • Órgão – quando as bordas da cascata de pedra são ornamentadas por estalactites e cortinas;

  • Lustres ou Medusas – quando os escorrimentos volumosos e maciços ocorrem como pingentes isolados nos tetos das cavernas;

  • Sinos, Patas de Cavalos ou Conchas – saliências inclinadas e côncavas, semi-esféricas, presas à parede, às vezes apenas em sua parte superior.

v    Trompas – essas estranhas e raras formações apresentam um certo parentesco com as estalactites por serem espeleotemas de teto e por possuírem forma cilíndrica e oca, pela qual descem águas que chegam à caverna. No entanto, o processo de deposição aqui não se baseia no gotejamento, mas sim na circulação de um jorro de água saturada de calcita que atinge a caverna através de um orifício regular no teto. Parte da água em queda desliza pela parede interna do conduto rochoso e vai depositando a calcita. Tal deposição vai se dar em maior intensidade na “boca” do orifício pelo turbilhonamento e conseqüente facilidade de liberação de CO2 no ambiente. Forma-se assim um grosseiro anel nas bordas do orifício que, com a continuidade do processo, vai crescendo verticalmente, tomando a forma de um tubo pendente, semelhante a uma trompa. Faltam, todavia, estudos mais detalhados sobre a gênese desses depósitos.

v    Represa de Travertino  Grupo Espírito da Terraformas especiais de escorrimento, semelhantes a pequenos diques que representam em piscinas escalonadas a água que escorre pelos pisos das cavernas, lembrando uma escada alagada, cujas paredes são lamelares e sinuosas, com cavidade voltada para a corrente d’água. Podem ter desde poucos milímetros (micro-travertinos) até alguns metros de altura, formando verdadeiras muralhas. As águas que formam os travertinos são ricas em carbonatos que, pelo movimento da água, depositam na forma de calcita, nos bordos superiores das paredes das represas e, quando em pequeno volume de água podem formar em seu interior, diversos espeleotemas, como os cristais dentes-de-cão, pérolas de caverna, vulcões e jangadas, que serão descritos adiante. A cor da parede do travertino, mais freqüentemente é marrom, devido as impurezas existentes na água represada, mas em alguns casos, principalmente quando pequenos, podem tomar coloração específica como, do tom vermelho ao laranja devido à presença de ferro, ou branco, devido à calcita ou aragonita.

v    Helictites e Heligmites Grupo Espírito da Terra espeleotemas filiformes, belos e delicados, que se formam exclusivamente no interior das cavernas e em condições bastante específicas, cujas formas e tamanhos variam para cada situação climática, física e química, encontrada em seu interior, podendo ir de poucos milímetros a mais de um metro. Apresentam um canal central com micro-diâmetro de 0.008 a 0,5mm, pelo qual circula sob pressão hidrostática e capilaridade as águas provenientes do calcário, sendo que o volume de vazão nestes condutos é da ordem de 10-8/seg. Ao emergir na extremidade do conduto, dada a liberação do CO2, o micro volume de água evapora sem gotejamento e a calcita se precipita, provocando o crescimento do espeleotema, de forma curva e ascendente (contra gravidade). Dá-se o nome de helictite, quando se formam em áreas de teto e parede, e, heligmites, quando se formam no chão e sobre outros espeleotemas. Quanto a sua forma podem ser: filiformes, em rosário, vermiformes, ramificados ou arborescentes etc.

v    Agulhas de Aragonita Grupo Espírito da Terra são magníficos espeleotemas em forma de cristais finos de 1 a 2cm de diâmetro, podendo ultrapassar 30cm de comprimento. São transparentes e crescem em paredes normalmente ornamentadas por outros espeleotemas.

v   Flores de Caverna ou Antodítes Grupo Espírito da Terra são tipos de espeleotemas erráticos, formados de calcita e, principalmente e predominantemente de aragonita, com inúmeras formas delicadas, caracterizadas por um conjunto de tentáculos, ramos, filamentos ou agulhas que se irradiam de um centro ou um eixo comum. Não possuem conduto central, sendo formadas pela lenta deposição mineral de soluções que se movem em sua superfície externa. Em formas mais simples, confundem-se com helictites. Sua gênese é bastante discutida e, baseadas em sua morfologia, três tipas de flores são caracterizadas:

  • Flores de Feixes Cristalinos Radiais – formados de aragonita, com dimensão de poucos milímetros a quarenta centímetros, formado por um conjunto de feixe de cristais alongados, retilíneos, pontiagudos e transparentes, que divergem de um centro de radiação;

  • Flores com Tentáculos Emaranhados – formados normalmente sobre a rocha calcária, em locais de alta porosidade, tendo uma base por onde diverge de um centro comum, vários filamentos semelhantes a um conjunto de helictites;

  • Flores com Eixo Linear de Radiação Grupo Espírito da Terra formados principalmente por aragonita, semelhantes a uma espinha de peixe.

v    Flores de Gipsita – conjunto de cristais estriados e retorcidos, relativamente freqüentes em cavernas brasileiras, preenchendo as juntas das rochas ou recobrindo paredes em finas crostas cristalinas formados por gipsita (sulfato de cálcio).

v    Algodão e Cabelo de Anjo – raro espeleotema constituído por gipsita que formam finíssimos cristais, em delicado emaranhado cristalino, dependurados nos tetos ou paredes das cavernas, extremamente frágeis, lustroso, formando um chumaço fibroso branco, semelhante ao algodão.

v    Agulhas Grupo Espírito da Terra – espeleotema formados por feixes de cristais finos e alongados, individuais, geralmente transparentes, brancos ou coloração creme, rígidos e frágeis, podendo passar dos 25cm de comprimento, ocorrendo em galerias secas e constituídas por sulfatos, principalmente gipsita, mas também por mirabilita, epsomita e selenita.

v    Coralóides – espeleotema composto por conjunto de nódulos ou ramificações de calcita ou outro mineral, que recobrem pisos, paredes, escorrimentos de calcita ou outros espeleotemas Grupo Espírito da Terra, assumindo a forma de corais, bastões, couve-flor Grupo Espírito da Terra, pipocas Grupo Espírito da Terra, cachos de uvas, cogumelos, bolotas, nuvens ou pompons, geralmente de pequenas dimensões. Sua estrutura é concêntrica, não possuindo conduto central, podendo sua cor variar do branco-amarelado ao marrom-escuro, pela presença de impurezas e formado por exudação das águas nas paredes e pisos das cavernas ou poros de outros espeleotemas.

v    Pinheiros ou Abetos de Argila – espeleotemas individualizados que, no entanto, sempre se apresentam em grupos com dezenas ou centenas de exemplares cobrindo pisos de bacias que apresentam água periodicamente com forma cônica, pontiaguda e de superfície rugosa, rígida e vertical, formada por argila carbonatada, solidamente cimentados ao piso. A gênese desses abetos de argila parece estar relacionada a exudação por capilaridade, gerando a decomposição mais acentuada da calcita.

v    Folhas de Calcita – formado pela exudação em estalagmites, formando folhas ascendentes ou pétalas.

v    Escudos ou Discos Grupo Espírito da Terra – espeleotemas planos, de forma circular ou semicircular que se projetam ora oblíqua, ora perpendicularmente às paredes da caverna, tendo poucos centímetros de espessura e comumente até mais de um metro de diâmetro.

v    Esferas ou Blisters – pequenas protuberâncias esféricas, geralmente brancas, que ocorrem em paredes das cavernas, freqüentemente em meio às áreas ocupadas por corais, diferindo desses por serem estruturas ocas. Podem ser compostos por gipsita, calcita, calcedônia e opala.

v    Cotonetes – são helictites ou flores de aragonita, cujas extremidades livres são envolvidas por pequenos tufos brancos de consistência porosa, provavelmente formada por deposição de sais de magnésio ou ao “leite-de-lua”.

v    Geôdos de Calcita – apresenta-se na forma de revestimentos cristalinos, na superfície submersa de poças, represas de travertinos ou em reentrâncias e concavidades nas paredes. Dentro das variedades deste espeleotema destacam-se:

  • Dentes-de-cão Grupo Espírito da Terra – espeleotema de calcita depositados na forma de cristais alongados, chegando a atingir até 15cm.

  • Pirâmides e Triângulos de Calcita

  • Estrela de Calcita – macro-cristais de calcita que se irradiam de uma única base, aparentando pirâmides invertidas.

v    Jangadas Grupo Espírito da Terra – são estruturas planas micro-cristalinas de formato irregular que chegam a atingir até 25cm de diâmetro e que são encontradas boiando na superfície da água, podendo, às vezes, ficar próximas à borda cimentando-se a elas, simulando, neste caso, uma plataforma (descrita adiante). Sua origem é precipitação da calcita em águas estagnadas com a maior liberação de CO2 ao nível da água, podendo ou não iniciar essa precipitação em torno de “grãos”, que flutuam na superfície da água.

v    Bolhas de Calcita – raros espeleotemas de estrutura oca, esféricas ou semi-esféricas que se cristalizam pela liberação de CO2 na superfície de poças de águas estagnadas, tendo como suporte, bolhas de ar flutuantes, tendo diâmetro inferior a 1cm e espessura de cerca 0,2mm.

v    Plataforma – formação semelhantes à jangadas, porém, se formam da borda para o centro.

v    Clavas, Espigas e Castiçais Grupo Espírito da Terra – certas estalactites localizadas a pequena altura sobre piscinas de águas ricas em carbonato, têm, às vezes, suas extremidades nelas mergulhado pelo aumento do nível d’água. Nessa extremidade, passa a ocorrer a cristalização do carbonato dissolvido, conferindo um aspecto de espiga de milho de cristais de calcita ou a cristalização se dá apenas na linha d’água criando uma estrutura circular, plano horizontal, na forma de castiçal ou a deposição ocorre de forma esférica ou semiesférica com pequenas “bolinhas” dando aspecto de clavas. As cores dessas estruturas normalmente são escurecidas devido à presença de impurezas ou argila na água.

v    Concreções – são agregados sedimentares, geralmente de calcita, que revestem ou englobam pequenos núcleos soltos existentes na superfície do solo nas cavernas. Tais núcleos podem ser simples grãos de areia, fragmentos de rochas, fragmentos vegetais, raízes, ossos, conchas de moluscos Grupo Espírito da Terra, objetos do meio exterior etc., sendo que sua forma varia em função do núcleo recoberto. Também chamamos de cimentação o processo de deposição de carbonato de cálcio sobre substâncias que se introduzem nas cavernas, como raízes ou objetos vindos do meio externo Grupo Espírito da Terra. As formas mais típicas de concreções são as pérolas de caverna Grupo Espírito da Terra, que são concreções de estrutura concêntrica que se formam no interior de represas de travertino ou em pequenas cavidades molhadas nos pisos e paredes de grutas, onde ocorre o gotejamento e movimento circular da água, que auxilia na formação da sua forma esférica, mas não sendo este um fator determinante na sua formação, já que várias teorias existentes tentam explicar a sua gênese Quando agrupados são chamados de ninhos de pérolas e suas dimensões podem ir de poucos milímetros a mais de 20cm de diâmetro. Tendo, porém, com mais freqüência, de 2 a 3cm de raio, e são formadas quase que exclusivamente por calcita. Seu crescimento situa-se entre 0,2mm a 2mm por ano.

v     Vulcões Grupo Espírito da Terra – encontrados em piscinas de águas estagnadas, tendo a forma de um tronco de cone, cuja extremidade superior é côncava semelhante a uma pequena cratera. São formados por gotejamento em represas com águas saturadas em carbonato de cálcio, crescendo verticalmente como uma estalagmite a partir do piso submerso, sendo originados pela deposição de calcita provocada pela queda de gotas em águas estagnadas e saturadas, ocorrendo a liberação do CO2 e a precipitação da calcita, em forma de micro-cristais ou plaquetas, depositando-se no fundo da piscina formando uma película circular de pequena espessura. Outras gotas caem e a deposição de calcita vai superpondo novas camadas à camada original. O diâmetro dessas placas circulares vai, no entanto, diminuindo dada a redução entre o nível da água e a base de acumulação que se vai elevando lentamente pela constante deposição. No centro do círculo, porém, dada a turbulência ocasionada pelo impacto da gota, a calcita precipitada não se acumula, formando, assim, círculos de anéis laminares, com diâmetros cada vez menores, sendo sua altura limitada ao nível da água e, por esta razão, o topo dos vários vulcões na mesma área estão nivelados. Freqüentemente nestas áreas encontram-se jangadas e plataformas. Não confundir esse espeleotema com estalagmites com cavidade superior formada pela erosão e corrosão do gotejamento de águas ácidas.

v    Leite-de-lua – é um dos mais interessantes biotemas encontrados nas cavernas. Trata-se de um depósito de consistência pastosa ou porosa, semelhante a uma argila de coloração branca. Quando seco tem uma aparência pulveriforme e lembra o giz.

Pode ser composto de diversos minerais carbonáticos como a calcita, a aragonita, a monohidrocalcita, a magnesita, a hidromagnesita, a nesqueonita, a huntita etc.

É provável que o leite-de-lua tenha origem na ação de microorganismos que são encontrados neste tipo de depósito. Estes microorganismos – actinomicetos, algas e bactérias – são identificados como responsáveis pela “quebra” calcita, onde se originam os componentes do leite-de-lua. O mecanismo pelo qual tais organismos decompõem a calcita e a redepositam como leite-de-lua ainda não foi determinado.

v Salitre – é originado a partir da ação de bactérias em depósitos de caverna, estando segundo alguns autores, associado ao guano de morcegos. O mineral encontrado nas cavernas é a nitrocalcita.

v Espeleofototemas – formações encontradas e descritas a partir de 1977 por Clayton Lino com a peculiaridade de só ocorrerem em zonas de entradas e apresentação orientação claramente voltada para a luminosidade. Apresenta-se na forma de pequenos cilindros, filetes ou cones alongados. Estudos sobre sua formação identificam não como formas deposicionais, mas sim, formas residuais da ação de algas que atacam química e fisicamente o substrato rochoso. Neste sentido, não podem ser incluídos formalmente como espeleotemas, mas sim, como espelogens.

v Cimentação Grupo Espírito da Terra – espeleotema híbrido, onde a precipitação de carbonato de cálcio reveste fragmentos.

v Anemolites – estalagmites, estalactites e helictites, cuja direção de crescimento seja claramente condicionada pela circulação de ar, que interfere na direção de deposição de material.

v Mama-de-vaca – estalactites que se formam após a obstrução do canal por uma cobertura esférica de argila (quando em áreas inundadas), havendo o transbordamento superior da água ácida carbonada, formando vários estalactites dessa esfera.

v Cachimbo – estalactites em cuja extremidade inferior crescem cristais de calcita no sentido oblíquo e ascendente.

GALERIA DE CAVERNAS

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