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QUESTÕES
CONCEITUAIS DA ESPELEOLOGIA
O termo espeleologia é derivado do grego “spelaion” (caverna) e “logos” (estudo). Várias definições surgiram com o tempo, mas, coube a Géze, em 1968, uma das mais abrangentes e sintéticas, a qual ganhou grande aceitação internacional. Segundo o autor, a “espeleologia é a disciplina consagrada ao estudo das cavernas, sua gênese e evolução, do meio físico que elas representam, de seu povoamento biológico atual ou passado, bem como, dos meios ou técnicas que são próprias ao seu estudo”. Por esta definição, pode-se subdividir essa disciplina em: espeleologia científica e espeleologia técno-esportiva, entendida a segunda como meio para a primeira, podendo cada uma delas ser subdivididas em várias disciplinas específicas. Espeleologia Científica 1. Espeleologia Física ou Hidrogeologia Cárstica, que corresponde a carstologia – estudo do relevo onde se forma as cavernas; a geoespeleologia – estudo da gênese da evolução das cavernas; a espeleomineralogia – estudo da decomposição mineral em cavernas; a climatologia subterrânea – estudo do ambiente cavernícola e sua dinâmica, envolvendo questões relativas à temperatura, umidade e circulação do ar, entre outras, e a hidrologia subterrânea – estudo da circulação das águas subterrâneas em áreas de cavernas. 2. Espeleologia Biológica ou Bioespeleologia – que corresponde ao estudo da flora e da fauna subterrânea em seu ambiente. 3. Espeleopaleontologia – que estuda a fauna e flora fósseis. 4. Antropoespeleologia – que corresponde ao estudo das relações históricas e pré-históricas do homem com esses ambientes. Englobam-se, também, a espeleomitologia – dedicada a compreensão dos mitos, lendas e práticas religiosas associadas às cavernas e a espeleologia econômica – que engloba os diversos usos que o homem faz desses ambientes. Espeleologia Técno-esportiva 1. Espeleoexploração – que reúne as atividades voltadas às descobertas de cavernas, bem como o reconhecimento direto de cada uma através de técnicas de espeleometria, mapeamento e dimensionamento de seus espaços; 2. Espeleodocumentação – que corresponde às atividades de registro sonoro, gráfico e visual do ambiente cavernícola, incluindo, entre outros, espeleofoto (especicialidade principal a que se dedica nosso Grupo Espírito da Terra) e espeleocine, além da espeleometria – cartas, mapeamento, plantas de croquis que representam de forma adequada os levantamentos espeleométricos das cavernas; 3. Espeleologística – que engloba técnicas e métodos de comunicações, resgate e permanência em cavernas; 4. Espeleologia Aplicada – a qual reúne as técnicas relacionadas a utilização do ambiente subterrâneo para o manejo turístico, aproveitamento de mananciais cársticos e estabelecimento de laboratórios subterrâneos; 5. Espeleoaventura – que utiliza técnicas esportivas especializadas para travessia de cavernas, sem a preocupação de estudo e avaliação dessas cavidades. Como se vê, trata-se de um campo de ação extremamente amplo e complexo, que exige do espeleólogo além da curiosidade e destreza física, competência técnica e científica e/ou larga experiência. Desta forma, é conveniente distinguir o espeleólogo de outros freqüentadores de cavernas, sejam eles, turistas eventuais ou simples esportistas de cavernas, devendo-se, porém, a esses últimos, importante evolução nos métodos de exploração e desbravamento de seus espaços Do
ponto de vista esportivo, a espeleologia não visa a competição, o
desafio, ou muito menos vencer a natureza, mas sim
o trabalho em equipe, visando o estudo, a observação, a
documentação e a contemplação. Conforme Von Kruger (1938), “todo explorador deve demonstrar coragem sem fazer demonstração de coragem”, ou a sintética e feliz frase de R. Ginet: “A gruta não é um espeleódromo”, e ainda sua meta é o desconhecido, sua finalidade é o conhecimento. (Clayton F. Lino)
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