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CAVERNAS
NA CULTURA DA
HUMANIDADE
A história das cavernas se confunde facilmente com a própria existência
do homem, sendo o homem primitivo mais comumente conhecido como “homem
das cavernas”, que eram por eles usadas como abrigo, refúgio, santuário,
e nelas foram impressas as primeiras demonstrações de arte e escrita.
Durante
nossa existência, as cavernas têm despertado os mais variados
sentimentos, principalmente pelo desconhecido, pela escuridão, pelo místico
e pelo receio do perigo existente em seu interior. Essa mistura de
sentimentos têm dado às cavernas os mais variados usos, como santuário
religioso de várias seitas cristãs e profanas , como cenários de
contos, ficção e filmes, como fonte de extração mineral e hídrica,
como morada do bem e do mal e, mais recentemente, como turismo de lazer
ecológico ou aventura .
ESPELEOLOGIA
ASPECTOS
HISTÓRICOS NO BRASIL E NO MUNDO
Foi
apenas a partir do século XIX, que o estudo desse “mundo de trevas e
silêncio” se iniciou, mais propriamente pelos franceses E.A.Martel,
reconhecido como pai da espeleologia, devido aos trabalhos Les Eav
Souterraiens e Les Abimes.
No
Brasil, o precursor foi Peter W. Lung, dinamarquês, radicado no Brasil,
que dedicou-se de 1835 a 1844 aos estudos de fósseis na região de
Lagoa Santa, MG, sendo responsável pela descrição de mais de 100
tipos de fósseis, como o tigre dente-de-sabre e também descobridor do
“Homem da Lagoa Santa”, estando seus registros reunidos em sua
famosa “Memórias”.
Após
Ricardo Krone, alemão, radicado em Iguape – SP, realizou estudos
entre 1895 e 1906 na região do Vale do Ribeira, cabendo a ele o
primeiro cadastro espeleológico do país, com 41 cavernas, com mapas e
fotos da região do Vale do Ribeira.
Somente
após 40 anos, em 1937, viria a se formar a primeira entidade espeleológica
das Américas, a SEE - Sociedade Excursionista e Espeleológica da
Escola de Minas de Ouro Preto. Em 1953, realizou-se, em Paris, o I
Congresso Internacional de Espeleologia, recebendo 161 congressista de
23 países, realizando-se a cada 4 anos um congresso em países
diferentes.
No
Brasil, na década de 50, criou-se a seção de espeleologia do Clube
Alpino Paulista, formado por espeleólogos europeus, onde cabe destacar
o francês Michel Le Bret, o iugoslavo Peter Slavec, o espanhol José
Luis Vasquez Yusti e ainda os franceses Pierre Martin e Guy Collet, os
brasileiros José Epitácio Guimarães, Pedro Comério, Luis de Alcântara
Marinho e Salvador Lino Haim, e assim, com um grupo mais interessado e
estudioso, realizou-se o I Congresso Brasileiro de Espeleologia em 1964,
na Gruta Casa de Pedra.
Em
1969, criou-se a SBE – Sociedade Brasileira de Espeleologia, que veio
para desenvolver, organizar e incentivar o estudo da espeleologia
nacional. Desde então, vários grupos se formaram por todo o Brasil
como, o CEU – Centro Excursionista Universitário, EGB – Espeleo
Grupo de Brasília, CPG – Centro de Pesquisas Geológicas de Belo
Horizonte, NAE – Núcleo de Atividades Espeleológicas, UPE – União
Paulista de Espeleologia, GPME – Grupo Pierre Martin de Espeleologia,
BAMBUÍ - Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, um dos mais ativos
do país, sendo hoje, uma ONG.
Vivemos, hoje, um grande momento onde o esporte outdoor vive um
“boom” e começa a despertar a consciência ecológica em meio ao
caos e, a Sociedade de Espeleologia, além de atividades de estudo e
documentação, vem contribuindo muito para preservar e manter intocável,
silenciosa e na escuridão essa maravilhosa criação da natureza;
estudando, medindo, analisando, fotografando e levando ao conhecimento
de mais pessoas o conteúdo de seu interior, mantendo, “gota a
gota”, tudo como está e como deve ficar.
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